• daquiloquesecome

Arroz Negro.

Você sabia que a Costa da Alta Guiné era chamada pelos marinheiros europeus de Costa dos Grãos, ou Costa do Arroz?



Como nos conta Carney "(...) devido à sua especialização na produção de cereais".(1) A autora também enfatiza que "a disponibilidade generalizada de cereais foi resultado do nível sofisticado que a agricultura autóctone já tinha atingido em África no início da era moderna". (2)


Aliás, é importante dizer que a domesticação do Oryza glaberrima ou arroz africano data de mais de três mil anos atrás na região do Senegal à Costa do Marfim. Ou seja, é uma produção que tem protagonismo de sociedades africanas e não foi introduzido por portugueses. Carney nos aponta ainda que: " As sociedades da Costa da Alta Guiné tinham um abundante e variado abastecimento alimentar". (3) Por isso, a autora é enfática ao afirmar que " na história da cultura e da disseminação do arroz (...)" o protagonismo deve ser "ao oeste-africano, e não ao europeu". (4) Africanos já tinham verdadeiros sistemas orizícolas muito antes do processo do Tráfico Negreiro. E todo sua cultura é manejo foram deixados de lado já que: "A escravização desumanizou os escravos e desprezou as conquistas que estes alcançaram na agricultura e na tecnologia". (5)

Povos africanos domesticaram o arroz vermelho e desenvolveram importante comércio e relações em torno dele num pioneirismo e saberes produzidos ao longo de sua História. É preciso que se diga sobre essa realidade.

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To be continued.

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✍🏽📚 Referências.

📸 Alicio Charoth. Arroz vermelho-aportes dos escravos na História do cultivo do arroz africano nas Américas. In: http://sossegodaflora.blogspot.com/2016/07/oryza-glaberrima-arroz-vermelho-aportes.html?m=1 🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. Uso educacional.

📸 Costa dos Grãos ou Costa do Arroz, na África Ocidental. In: Carney, Judith A. Arroz Negro: As origens africanas do cultivo do arroz nas Américas. Trad. José Filipe Fonseca com a colaboração de Gaston Fonseca, Ernesto Fonseca e Nivaldina Fonseca. Instituto da Biodiversidade e das áreas protegidas. Bissau, Guiné-Bissau. 2001, p. 41. 🔖 Qualquer óbice em relação ao mapa por favor nos avisar. Uso Educacional.

(1)(2)(3)(4)(5) Carney, Judith A. op. cit., p. 37; 38; 39.

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